Globalização

Trabalho realizado por alunos da 3ª Série

06/06/2017 - Webmaster, Escola São Paulo

Globalização

Ao analisarmos a globalização sob o ponto de vista sociológico, histórico, geográfico e econômico, não temos que aceita-la e, sim, verificar seus efeitos, mudanças e implantação no mundo contemporâneo. Mesmo que alguns pensadores e estudiosos entendem por bem analisá-la a partir das conquistas e expansão romana, nosso foco deve-se prender a partir das Grandes Navegações e Descobertas Marítimas nos séculos XV e XVI.

Antes de tudo, devemos conceituar ou classificar a globalização como fenômeno econômico e social fruto da introdução e desenvolvimento do capitalismo que avançou sobre o mundo a partir da Europa Ocidental tarjada na rubrica do colonialismo europeu sobre a América, Ásia e África, onde a busca incessante pelo lucro e acumulação do capital retornaria às metrópoles europeias pilhas de fortunas acumuladas sob a forma de mercadorias, matéria-prima e produtos naturais.

Se compreendermos que a globalização é um processo econômico e social estabelecendo uma integração entre os países e as pessoas do mundo todo, onde pessoas, governos e impressas trocam ideias, realizam transações financeiras e comerciais e espalham aspectos culturais pelos quatro cantos do planeta, extrapolando simplesmente as relações econômicas e financeiras, veremos que no mundo contemporâneo a internet representa uma maneira rápida e eficiente de entrar em contato com pessoas de outros países, conhecer aspectos culturais e sociais. Na intensidade das relações socioespaciais em escalas mundiais, instrumentalizada pela conexão entre as maiores partes do globo terrestre, a globalização está em constante evolução e transformação, se manifestando nos campos da cultura, espaço geográfico, educação, politica, direitos humanos, saúde e economia.

Ao entrar em contato com povos de outros continentes até então desconhecidos, os europeus, além de estabelecerem relações comerciais e culturais, iniciaram a globalização do modelo cristão implantado no seu continente a partir do Império Romano como doutrina religiosa que ajudaria na catequese, conquista e domínio dos nativos e africanos utilizados como mão de obra escrava nas lavouras de exportação da monocultura canavieira e do café, iniciando uma grande migração em direção à América, mesmo que forçada pelas circunstâncias e obrigatoriedade das metrópoles. Já no século XIX, com a ampliação da Revolução Industrial e a substituição gradual do homem pela máquina, a globalização aproveitou-se das tecnologias industriais para centralizar a economia, consolidar seu domínio sobre a América e ampliar seus aspectos globais.

A disputa pelos mercados mundiais na fase do imperialismo europeu seria mais uma formação de mutação da globalização a partir da Europa que iniciava efetivamente seu domínio econômico, cultural e tecnológico sobre o mundo, aí abrangendo África, Oriente Médio e Extremo Oriente com pontes fixas no Japão e Egito na busca não só da matéria-prima e mercado consumidor mas, também, das mudanças culturais que colocaria o mundo aos seus pés.

Desde sua implantação, a globalização gerou uma série de modelos que se modificaram de acordo com as necessidades tais como no final dos anos 1930 com a aliança entre o liberalismo e o comunismo para autodefesa e destruição do nazi-fascismo e, logo após a II Guerra Mundial, no desentendimento entre as duas grandes potencias mundiais, EUA e União Soviética, gerando a guerra fria, quando o liberalismo rivalizou o comunismo soviético numa guerra ideológica mundial e numa competição armamentista e tecnológica que quase gerou uma nova guerra mundial. Numa terceira etapa, a glasnost, o fim da guerra fria, a derrubada do Muro de Berlim, retirada das tropas soviéticas da Alemanha, dissolução da URRS facilitou a transferência de capitais antes empregados em armamentos para o desenvolvimento da produção, numa corrida louca de incentivo e exigência dos países emergentes que abarrotaram as principais nações de lucros e acumularam a centralização definitiva da cultura mundial através da revolução técnico cientifica produtora de máquinas e equipamentos ultramodernos e aceleraram o desenvolvimento do transporte e comunicação diminuindo as distancias e o tempo, vitais na diminuição dos custos dos produtos possibilitando a mundialização das marcas e da produção, além da exigência da formação de blocos econômicos como garantia aos mercados regionais.

Com isso, forma-se uma aldeia global e cria-se rede de conexões que deixam as distâncias cada vez mais curtas, facilitando as relações culturais e econômicas de forma rápida e eficiente, fato que se iniciou a partir da disputa pela hegemonia do espaço na década de 1950 com a corrida armamentista, a corrida espacial. A concorrência exigia maiores recursos tecnológicos para baratear os preços e estabelecer contatos comerciais e financeiros de forma rápida e eficiente tais como a internet e rede de comunicação via satélite que surge na década de 1980. A TV, rede mundiais de computadores quebram barreiras ligando as pessoas e espalhando ideias, o inglês torna-se fundamental e instrumento de comunicação. No final do século XX e principio do século XXI, a saturação dos mercados internos fez muitas impressas multinacionais buscarem conquistar novos mercados consumidores em países do antigo leste europeu, América Latina, África e Oriente Médio, expandindo suas atividades em busca de um maior mercado consumidor, isenção de impostos, tarifas alfandegarias, menor custo de mão-de-obra e matéria-prima, principalmente em países emergentes que investem em redes de transportes, comunicação, capital especulativo e trocas comerciais. Assim sendo, as transnacionais se agigantam, fusões ocorrem entre as grandes empresas mundiais de diversos ramos, na possibilidade de tornar o mundo um só, não na geografia física e espacial, mas, na concentração de bens, produção e riqueza gerida por um pequeno numero de megaempresários e megaempresas.

A discussão surgida a partir da criação do Fórum Econômico Mundial (Fórum de Davos-Suíça) e a realização do I Fórum Social Mundial (Porto Alegre) gira em torno das vantagens e desvantagens da globalização, radicalizada entre as maiores e principais empresas do mundo, grandes economistas, investidores e empresários que preconizavam a irreversibilidade da globalização, minimizando os efeitos negativos e potencializando os seus pontos positivos e de outro lado os defensores dos movimentos ecológicos e políticos de alguns países que viam na globalização grandes desvantagens para a humanidade, principalmente para os países mais pobres pois, a globalização se expandia de forma desigual, beneficiando sempre as localidades economicamente mais desenvolvidas, chegando de forma retardatária e incompleta nas regiões mais atrasadas e dependentes economicamente, desigualdade no ritmo e no direcionamento dos fluxos de com países desenvolvidos expandindo mais facilmente seus valores e informações (França, EUA, Inglaterra-reconhecidos em todo o mundo) marginalizando outras culturas ao ostracismo por não conseguirem concorrerem em transmitir seus valores da mesma forma e intensidade. Enquanto isso, os países centrais do capitalismo mundial, capitaneados por megaempresários e renomados economistas  afirmavam que a globalização diminuía a distancia e o tempo graças ao avanços tecnológicos no campo da comunicação e dos meios de transportes, mais rápidos e eficientes, difundindo noticias e conhecimento de forma mais rápida, transponde barreiras físicas e politicas, reduzindo o preço médio dos produtos, formando blocos econômicos, facilitando os investimentos, disponibilizando meios para gerir empresas e governos, maiores e mais amplos tipos de financiamentos de dividas fiscais, integração do sistema bancário mundial dentre outros.

Nem todos os intelectuais, historiadores, políticos e economistas concordavam com a tese da globalização, dentre eles Milton Santos (2001), que considerava pelo menos a existência de três mundos em um só, cujo entendimento passa pela compreensão do que é a globalização, o que já detalhamos acima, identificando o geógrafo o mundo de acordo com a percepção, a realidade e a possibilidade.

O mundo que percebemos a globalização como fábula, onde a globalização exige certo número de fantasias, com a máquina ideológica fazendo crer que a difusão instantânea de noticias realmente informa as pessoas, apresentando o mercado como homogêneo em oferta de mercadorias para o consumo. Na realidade, a fantasia é o reflexo do efeito midiático das grandes emissoras de TV, do controle das redes de comunicação, cuja ideologização maciça determina uma lavagem cerebral fantástica, convencedora, como se fosse uma novela global, dando esperança ao homem de sair de seu anonimato e dependência pelo simples fato de consumir produtos da mídia como se isso fosse realidade ou pudesse tornar-se realidade.

O mundo real apresenta a globalização como perversidade, a fábrica de perversidade é reflexo do desemprego crônico, o aumento da pobreza mundial, a favelização das grandes cidades, a criminalidade acentuada entre jovens, o surgimento incessante, a mortalidade infantil que ainda permanece alta nos países pobres, a educação de qualidade cada vez mais inacessível com o desmantelamento da rede pública de ensino pelos governos neoliberais, o consumo como única fonte de felicidade. A perversidade estampada na adesão desenfreada aos comportamentos competitivos que caracterizam as ações hegemônicas, o homem cada vez mais como um lobo na grande selva de pedra e no grande teatro do capital e do lucro. 

O mundo como possibilidade ou uma nova globalização, onde se coloca a possibilidade do grande capital que se apoia na globalização perversa se reverter em apoiar a construção de objetivos fundamentais nos setores sociais políticos, saúde e, educação e meio ambiente.

A globalização nos dias atuais:          

A ação do sistema liberal e neoliberal nas políticas econômicas nacionais se faz através de um estado mínimo nas intervenções econômicas, privatizando e terceirizando empresas estatais produtoras e prestadoras, concorrendo para que transnacionais se disseminem mundo afora concorrendo e substituindo o estado nas questões de mercado. Assim, os países pobres continuam longe de conquistarem todos os benefícios da globalização, aumentando sua dependência em montantes de dívidas externas, sacrifício no pagamento de juros e servidão na mão-de-obra e matéria-prima. A necessidade da infraestrutura nos países emergentes exigem altos investimentos em tecnologia financiados por corporações internacionais que se tornam sócias majoritárias e credores irredutíveis do Estado. A aceleração urbana provoca uma procura imensa por meios de transportes modernos o que não impede que uma grande parte dos trabalhadores utilizem transportes alternativos de baixa qualidade. O Estado passou a exercer menor influência sobre o andamento do mercado e da economia, transformações técnicas e sociais são operadas no âmbito do espaço geográfico em diferentes lugares do planeta por empresas ou grupo de pessoas independentes dos governos locais. Ao desonerar o Estado na cobrança de impostos, afirmam que os gastos da máquina pública com programas sociais exigem sempre mais impostos o que dificulta a modernização do país, além de gerar corrupção e não acompanhar a concorrência mundial, penalizando o empresário.

O monopólio da mídia mundial concentrado nas mãos de um pequeno grupo na qual a informação pode ser deturpada de acordo com interesses políticos e econômicos, informação que chega para massa popular totalmente manipulada que em vez de esclarecer, confunde. Enquanto a globalização permite a livre circulação de mercadorias, dinheiro e serviços proíbe a circulação de indivíduos. Na globalização tudo é estético, difícil conceituar uma experiência especifica, pois a realidade tornou-se profundamente visual e tende para a imagem. Às vezes o que se vê não o é na realidade, mas sim, fruto de um produto embalado pronto para o consumo através da mídia e da propaganda, dos interesses comerciais. Os belos rostos globais o são na realidade, produtos do embelezamento plástico dos cosméticos que se tornou uma das indústrias mais rentáveis. Megacidades brasileiras me plena faixa tropical, prédios envidraçados, selva de pedra, tudo a exigir aparelhos para resfriar o ar aumentando o consumo energético em beneficio das grandes empresas transnacionais que abocanharam o setor energético com a globalização e neoliberalismo.

Referências bibliográficas: Geógrafo David Harvey;

Geógrafo Milton Santos;

Geógrafo Horácio Capel;

Geógrafo Edward Soja;

Geógrafo Armando Correia da Silva;

Sociólogo Otavio Ianni;

Geógrafo Neil Smith;

Geógrafo David Held;

CEPAL- Comision Econômica para América Latina;

Census Bureau dos Estados Unidos;

 

CENTER FOR IMMIGRATION STUDIES.

 

Alunos responsáveis pelo trabalho:

Felipe Cerqueira Fintelman;

Fernando A. Andrade Cidrini;

Hanniel Azevedo Lacerda;

Natã Souza Viana;

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